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Tenemos la carne - CULT PARA MAIORES

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Descrição do produto

Depois de vagar por uma cidade arruinada durante anos em busca de comida e abrigo, dois irmãos encontram seu caminho em um dos últimos edifícios restantes. Dentro, encontram um homem que lhes fará uma oferta perigosa para sobreviver ao mundo exterior.

CRITICA

Um par de irmãos entra na casa degradada de um estranho eremita e é apresentado a uma nova existência de carnalidade eletrizante e hedonismo demoníaco em Tenemos la carne.

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O choque é uma componente fulcral do cinema de terror. Quer seja o choque de sermos confrontados com algo desconfortável e ameaçador, ou o tipo de choque súbito e violento tipificado pelo jump scare. No entanto, longe de considerações formais, mecânicas ou fenomenológicas, quando esse choque nos chega com o peso de pretensões de significantes e intelectualismo estamos noutro campo de pensamento crítico. Quando nos referimos a isso estamos a falar do tipo de cinema promovido por nomes como Larry Clark e Gaspar Noé, onde chocar a audiência burguesa e seus valores passa pelo caminho da sublimação intelectual, ou pelo menos pela aparência dessa sublimação.

Tenemos la carne, a primeira longa-metragem do mexicano Emiliano Rocha Minter, é certamente um filme com esse tipo de atitude de provocação agressiva e pretensiosa. Podemos afirmar com toda a certeza que, por exemplo, não há mais nenhuma obra nesta edição do MOTELx com uma obsessão tão notória pelos fluídos humanos em todas as suas vertentes. Na mesma linha de pensamento, podemos dizer que esta é a mais direta exploração do ser humano enquanto animal. Aliás, a grande força motriz que leva toda a experiência do filme a se desdobrar perante os olhos da sua audiência, é a tentativa de reduzir o indivíduo a matéria orgânica, carne viva, seus fluídos, calor e impulsos sexuais.

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Basicamente, estamos perante um regresso do humano a um estado de existência primordial, onde as personagens quase literalmente regressam ao útero materno – materializado na enlouquecida cenografia simbólica – para aí morrerem, viverem e renascerem. Isto pode ser fascinante para muitos, mas, não obstante isso ou o vocal apoio de Carlos Reygadas, Alfonso Cuáron e Alejandro González Iñárritu, depois de tantos desenvolvimentos artísticos e experiências nos anos 60 e 70, este tipo de proposta tem pouco de original, sugerindo mais uma certa juvenilidade que qualquer sofisticação criativa. Poderia ser subversivo e transgressivo se estivéssemos no campo do mainstream, mas aqui, no circuito dos festivais, Tenemos la carne quase sugere a convenção, pelo menos ao nível das suas intenções.

Atenção, que nada disso quer dizer que as ideias desenvolvidas por Minter sejam desprovidas de valor ou complexidade. Nem sequer estamos a afirmar que o trabalho formal do jovem realizador sugere qualquer tipo de amadorismo. Na verdade, um dos maiores inimigos de Minter é a sua própria capacidade de conjurar imagens poderosas, como acontece numa das mais intensas e belissimamente filmadas cenas de sexo nos últimos tempos. Aí, um ato de deboche incestuoso é capturado através de um heat map, reduzindo os corpos em união carnal a manchas coloridas de temperatura. Aí, Tenemos la carne leva a depuração física do ser humano muito para além da carne titular, chegando ao corpo enquanto energia e temperatura. É absolutamente brilhante e quase abstrato, mas o problema está no facto que, com esta cena, Minter sintetiza perfeitamente a sua tese, tornando muito do resto do filme numa redundância repetitiva.

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Talvez seja apropriado estabelecer o contexto narrativo em que essa cena eventualmente se insere. Tenemos la carne começa com uma sequência que em qualquer outro filme seria bizarra ainda que neste caso seja algo mais próximo de um exemplo de contenção estilística. Não queremos estragar a surpresa, mas, basicamente, estes primeiros minutos estabelecem-nos os misteriosos afazeres e a rotina de um homem chamado Mariano que parece viver como um eremita num edifício delapidado. Nunca vemos o exterior, mas o mundo fora deste interior marca presença com o aparecimento de dois jovens, irmão e irmã. Mariano, qual Mefistófeles mexicano, oferece resguardo aos dois, mas força-os a trabalhar na construção do que parece ser uma caverna vaginal ao mesmo tempo que os vai seduzindo e manipulando em jogos de obscenidades e ameaças. A rapariga está muito mais disposta a deixar-se levar pelo seu ímpio anfitrião mas mesmo o irmão acaba por se render à sua influência selvagem.

Um dos aspetos mais fascinantes do filme e suas dinâmicas de sedução é o modo como Minter não está apenas a criar um espetáculo de choques e teorias sobre o corpo humano, mas também a construir uma subversiva reflexão sobre temas nacionais. Poderemos certamente acusar o cineasta de deixar que a sua crítica se perca por entre as visões mais chamativas de Tenemos la carne ou suas ideias mais simplistas, mas o filme não deixa de estar repleto de momentos verdadeiramente eletrizantes em termos políticos.

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Veja-se, por exemplo, a cena onde um soldado é sangrado como um porco depois de uma macabra interpretação do hino nacional mexicano. A violência da música e sua sugestão do sacrifício de todos os seus filhos é, de repente, muito mais que uma simples platitude de perigosa ideologia. Noutra ocasião, o nosso Mefistófeles ressuscitado emula Jesus Cristo e oferece o seu sangue e carne para consumo dos seus seguidores. No entanto, como já era de imaginar, isso não despoleta nenhuma comunhão solene, mas sim um bacanal canibal.

Algo que já foi anteriormente sugerido, mas que tem de ser ainda mais enfatizado antes de nos darmos por terminados é quão genial e eletrizante Noé Hernández consegue ser no papel de Mariano. O ator, com a sua face de duende traquinas, corpo musculado, postura animalesca e expressividade demoníaca consegue construir nesta figura algo tão horrendo como magnético. De vagabundo, a Diabo e a Cristo redentor, ele é a âncora enlouquecida de todo o filme e as cenas em que ele está presente, por muito repetitivas que possam acabar por ser, conseguem sempre afirmar-se como alguns dos mais bizarros e hipnóticos deste ano cinematográfico.

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O MELHOR: A já celebrada cena de sexo. Por muito estranho que isso possa parecer, este momento marca algumas das visões mais belas e viscerais do cinema deste ano.

O PIOR: Todo a longa passagem do filme em que Hernández está fora de cena. Não é que os atores mais jovens sejam incompetentes, mas o seu domínio sobre as reviravoltas tonais do filme é ténue na melhor das hipóteses e nenhum deles tem o carisma diabólico do ator que já é uma cara conhecida do cinema mexicano devido a filmes como Miss BalaSin Nombre600 Millas e Un monstruo de mil cabezas.



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